terça-feira, 22 de novembro de 2011

PALESTRA DE JOSÉ ÁLFIO NA ACADEMIA DE LETRAS E ARTES DO PLANALTO

Arte e cidade o impacto ou a guerra das formas
D.J Oliveira era um artista antenado. Ligado as coisas do mundo, e aos movimentos artísticos das vanguardas, tinha conhecimento do manifesto futurista de Marinetti, que proclamava a incineração dos museus, bibliotecas, e academias de toda natureza, ensejando o apagamento da história e a identificação do homem com a máquina. D.J viveu o drama, as tentativas de abandonar a figura para navegar na abstração geométrica, e confessou: “Não quero perder esse vínculo com a pintura que me emocionou desde a infância”, D j. Utilizou recortes de cores que assemelha as formas do cubismo sintético de Picasso e Braque, na fragmentação das figuras, procedimento aplicado no segundo painel onde se vê uma inovadora incursão as construções geométricas. Quiçá estivesse ali se referindo a escala geométrica, ao padrão angular, a fragmentação do espaço urbano traduzido por centenas de loteamentos que cobririam a paisagem natural de Luziânia para o surgimento de novos núcleos habitacionais. O que seria um golpe fulminante na fisionomia urbana da cidade histórica. D.J Chegou a estampar grandes áreas vazias no painel, talvez, numa alusão aos quadrados brancos de Mondriam, expressão maior da modernidade artística, explorador do vazio do qual se referiram os críticos e historiadores da arte, “O centro vazio da pequena tela no cavalete corresponde à ausência de sua pessoa. Mondrian falava, nessa época, muitas vezes do desparecimento do sujeito nos novos tempos que então despontavam. ( Taschem. P.64). Talvez nas áreas de cores brancas, que reflete o próprio azulejo, D. J quisesse ali nos dizer da perda das referencias espaciais, dos mecanismos propulsores das lembranças, das memórias. O cidadão sem identidade, reduzido a um número nas estatísticas. Por outro lado o urbanismo moderno juntamente com os novos matérias da indústria e da arquitetura viriam somar forças na transformação da Paisagem de Luziânia. Os agentes impulsionadores desta força, inspirados no grito de guerra de Le Corbusier, que dizia “precisamos matar a rua” para remodelar a cidade, agiam desvairadamente. (Gloria Ferreira. Escritos de Artistas. P.154). Os becos tortuosos, a rua estreita, com todo espetáculo visual de outrora, protagonizado por vários sobrados e velhos casarões que compunham a paisagem histórica de Luziânia, presentes na obra de Dj. Oliveira, deveriam ser adaptados, e os obstáculos removidos para que entrasse em cena a grande via, o asfalto e as novas construções na cidade, representadas pelos grandes edifícios e obras da arquitetura moderna. Como se prenunciadas nos versos de Caetano Veloso “é a força da grana que ergue e destrói coisas belas”. Assim a Luziânia histórica cedeu lugar ao novo, sem nenhuma possibilidade de conciliação e reconhecimento “e cuja superfície está agora ameaçada de ser sumariamente banida, para abrigar os filhos ingratos da nova civilização.” (Dilermando Meireles. O planalto Central do Brasil no Passado no Presente e no Futuro, p.07). O D.J. de Oliveira poucos meses que antecederam a sua morte, já andava muito entristecido pela vinculação na imprensa local de que setores ligados aos empresários da cidade queriam demolir o painel três bicas. Por coincidência, no aniversário da sua morte essa idéia voltou a circular nas redes sociais, do faceboock, sobre um projeto mirabolante da Prefeitura Municipal de remodelação da Praça Três Bicas com a supressão dos painéis, cujo intento ainda não nos foi esclarecido e nem levadas a efeito.