terça-feira, 22 de novembro de 2011

PALESTRA DE JOSÉ ÁLFIO NA ACADEMIA DE LETRAS DO PLANALTO

Em busca da cidade que parece perdida, para não dizer destruída.
Viver numa paisagem antiga e experimentar seus valores é contabilizar perdas dentro de um parâmetro de qualidade de vida, como foi desfrutar dos prazeres que a cidade histórica nos oferecia, quando ainda menino, no tempo em que freqüentava o atelier do D.J Luziânia na década de setenta, a cidade se misturava ao verde exuberante dos velhos quintais e da paisagem que a circundava. As atividades na infância incluíam um contato quase diário com o quintal, visto e utilizado como uma extensão da casa, verdadeiro celeiro de frutas tropicais, abacateiros, goiabeiras, jabuticabeiras e tantas outras que cederam lugar aos estacionamentos e condomínios residenciais da grande Luziânia em processo de modernização. O passeio ao cerrado em busca das frutas do campo, Araticum, gabiroba, mangaba, jatobá, alem de caça, pesca, foram substituídos por novos hábitos que inclui a navegação nas redes sociais o ciberespaço da internet, colocando o homem posicionado em frente ao computador reduzindo as distancias de um mundo globalizado, porém confrontado com um homem cada vez mais ameaçado pela perda do deslocamento físico em direção a uma possível imobilidade biológica, distante da paisagem natural. O protótipo do sedentário contemporâneo que encontramos eco na obra “O espaço critico” de Paul Virilio, (Editora 34, pag. 114). Os momentos de repouso e descanso, que os cidadãos de Luziânia desfrutavam no frescor e nas sombras das fontes naturais de água limpa e cristalina que jorram ainda no solo da cidade, eram celebrados como verdadeiro paraíso ecológico e nos parece que o homem moderno esqueceu a Fonte. Seu espaço na paisagem clama por atenção, pois se tornaram fontes poluídas, esquecidas, cercadas por erosão e descuidadas, como estão as fontes olhos d’agua e a fonte maravilha no bairro da serrinha e a fonte três bicas com a contínua redução do volume de suas águas ameaçada de desaparecer pela força da ocupação imobiliária. Gostaria de encerrar esta palestra com as imagens da literatura, onde a busca da paisagem histórica e natural, pelo homem modernizado, é como reviver o drama de Marcovaldo, do escritor Ítalo Calvino, no livro, “As estações na cidade” (companhia das Letras 1994, p. 144). O autor descreve num estilo magistral e hilariante as aventuras de um cidadão que precisa se matar de trabalhar para garantir sua existência e de sua prole na cidade tecnológica, e os momentos de lazer se resumem a levar a família para passear no supermercado, sem poder gastar um centavo, pescar peixes contaminados na praça pública, caçar coelhos foragidos de um laboratório. Marcovaldo é o protótipo do homem perdido, desencontrado, procurando a cidade e a paisagem que escapou do seu olhar. E assim o descreve ítalo Calvino: “O olhar de Marcovaldo perscrutava ao redor buscando o aflorar de uma cidade diferente, uma cidade de cascas, escamas, brotos e nervuras sob a cidade de verniz, asfalto, vidro e reboco.”
Os trechos desta palestra serão transcritos integralmente no blog da Ong-protegerlza.blogspot.com
Convido a todos para assistir um clipe denominado: “Historicamente Luziânia” de 6 minutos. de 1990, que teve o apoio da Academia, do D.j de Oliveira, Terezinha Roriz e muitos cidadãos de Luziânia. Um movimento artístico em defesa do patrimônio histórico de Luziânia e pela melhoria da qualidade de vida na nossa cidade. Obrigado a todos tenham um excelente domingo. Luziânia 19 de novembro de 201 . José Álfio da Silva