segunda-feira, 27 de setembro de 2010

LUZIÂNIA: UM PATRIMÔNIO INVISÍVEL

(DETALHE DO PAINEL TRÊS BICAS. Foto: José Alfio. 2009)

A história de Luziânia remonta a um passado colonial, uma sociedade em que após o declínio da mineração adquiriu uma característica pueril em que as pessoas construíram inconscientemente os elementos de uma tradição cultural, costumes que foram se firmando objetivamente nas práticas cotidianas. De acordo com esta mesma diretriz comportamental foram se constituindo suas estruturas políticas, uma prática que se identificou, em grande medida, pelo personalismo familiar, à guisa do modelo de Sérgio Buarque de Holanda quando explica as estruturas patrimonialistas do sistema colonial português na América.
Entretanto, os registros que documentam este passado de Luziânia não estão sendo devidamente preservados, muitos deles já se perderam. Existe uma lacuna no registro histórico, pois tais resquícios representam a memória e o patrimônio cultural de Luziânia, não apenas os seus casarões, quase extintos, suas ruas estreitas, ou alguns móveis antigos em uma e outra propriedade particular, mas as próprias lembranças devem ser registradas. São poucos os lugares em que se preocupa efetivamente com a preservação deste patrimônio, os poucos que a fazem, a casa da Cultura, a Academia de Letras e algumas peças das igrejas, não possuem a capacidade de sozinhas suportarem o peso de resguardarem em si todo o registro da tradição. Há uma necessidade de preservação deste patrimônio, e preciso fazer com que as pessoas gostem de olhar para as coisas e enxergar nelas, nas permanências do passado, um fundamento e um sentido para aquilo que hoje se edifica para o futuro.
É fato que a modernidade urbana que se impõe às antigas estruturas materiais e imateriais em Luziânia traz o significado de progresso econômico, e esta finalidade é de extrema importância para que existam melhores condições humanas de vivência, entretanto é preciso que haja um elo entre o desenvolvimento econômico-social e aquilo que evidencia a origem do povo de Luziânia, até mesmo porque este desenvolvimento só se constituirá se houver um desejo social pelo desenvolvimento, e este desejo se constrói a partir do afeto que o indivíduo sente por sua casa, sua cidade, nesse sentido, a perda da tradição e da memória impõe ao município de Luziânia um obstáculo ao desenvolvimento. Pois para que se desenvolva, as pessoas devem desejar o bem para aquilo que representa a sua origem pessoal.
Resta afirmar então que tradição importa-se para Luziânia na medida em que representa a afirmação da identidade das pessoas com o lugar que elas moram, e esta identificação deve ocorrer pela preservação histórica pois, esta ação de cuidar para que a história seja registrada se caracteriza como uma ação eficaz para a continuidade do que se compreende como fundamentos das estruturas de identidade.
A história se caracteriza pela ação humana e seus reflexos deixados no ambiente material e mental de toda a sociedade, mas o acontecimento histórico está sempre em desgaste pela simples passagem do tempo, e para que a história, memória e todo o patrimônio cultural seja preservado, os centros de documentação se constituem nas ações concretas que se pode fazer para que a identidade e a garantia do progresso econômico, social e político seja um certeza perene.

Claudio Hugo Melo Conelheiro
Membro da ONG Porteger