domingo, 6 de fevereiro de 2011

PRESERVAR É PRECISO

(Casarão 492, reconstruido na rua do rosário. Foto: José Álfio. 2011)

PRESERVAR É PRECISO.
Por Raiane Nunes

Fundada em 13 de dezembro de 1746, pelo bandeirante paulista Antônio Bueno de Azevedo o antigo arraial de Santa Luzia traz consigo um passado repleto de significados, tradições e manifestações importantes no seu repertório histórico cultural.
Próxima à Capital Federal á cerca 50 km acepção do valor histórico luzianiense torna-se referência nas demais localidades
A Igreja do Rosário, o Centro Histórico, a Festa do Divino, o tradicional arroz com pequi (gastronomia popular) formam, contudo um conjunto de características abrangentes a população de Luziânia.
Cultura não é um fenômeno estático, mas sim um processo de modernização relacionada a um desenvolvimento, alternando as diversidades existentes de tal forma que, essa mesma cultura direta ou indiretamente perda os seus reais valores. (PELLEGRINI, 2004)
Em Luziânia, a sociedade presente vem passando, por uma mudança radical na cultura, razão explicada pela interação da cidade com outras sociedades e por desempenhar um papel socioeconômico e político significante para a nação brasileira.
Desde sua fundação destacaram-se três fases fundamentais: a fase do ouro, das propriedades rurais e a da Instalação da Capital Federal.
Ao primeiro e ao segundo período coube a fundamentação de sua história e a cultura a ela atribuída de acordo com os primórdios da colonização portuguesa.
Portanto, no último período destaca-se a própria sociedade luzianiense, fato que inseriu a mesma em um contexto de modernidade, resultando no surgimento de novas estradas, oportunidades de empregos e diferentes expectativas para a juventude local.
Com este quadro cultural local o turismo aparece como um articulador, revelando e despertando no município uma oferta turística através do seu patrimônio histórico.
O turismo Cultural é um método de interpretação que consegue ir além da apreciação do público, ou seja, para Murta e Albano (2005, p.127),
Pelo método interpretativo, o lugar, além de se expor naturalmente à apreciação do público, pode falar sobre si mesmo e explicitar sua identidade. ‘[...] interpretado convida e facilita ao visitante chegar mais perto, experimentar, interagir, conhecer, aprovar ou criticar a dinâmica cultural daquele contexto. A interpretação preocupa-se com a relação morador/visitante e propõe que todos usufruam de paisagens, objetos monumentos e momentos de presença no lugar, ao invés de consumi-lo apressadamente, como algo descartável e de fácil substituição.
Resumidamente o turismo bem planejado, elaborado e monitorado por profissionais da área, com iniciativas diretas e indiretas da comunidade, poder público e privado, tende a contribuir, resgatar, valorizar e estimular a cultura da comunidade local.

domingo, 28 de novembro de 2010

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

sábado, 23 de outubro de 2010

PAISAGEM URBANA

REFORMA SOBRE REFORMA? O DILEMA DA VELHA IGREJA DO ROSÁRIO



Inicio das obras de restauração da Igreja do Rosário de Luziânia Go. Foto: José Álfio, 2010



Uma barreira de tapumes foi erguida na frente da Igreja do Rosário de Luziânia, marcando o início das obras de restauração do velho templo construído no ano de 1763, por 400 pessoas da raça negra, livres e escravos, sob a presidência do Revm. Dr. Jerônimo M. de Carvalho, chefiados pelo mestre de campo, Manoel de Bastos Nerva, sendo o arquiteto da igreja o Sr. Ignácio da Costa Xavier. Uma importante intervenção arquitetônica, nesta edificação, de que se tem notícia foi realizada no ano de 1934 pelo Frei dominicano Grabriel Maria de Menezes, que possibilitou a diminuição do corpo da igreja, principalmente nos fundos, na sacristia e nas torres, bem como da retirada de dois altares laterais da velha Igreja e que foram transportados para a Igreja Matriz da mesma cidade, segundo informação histórica do arquivo de Gelmires Reis. Desta forma e por medida de segurança, as imagens sacras de Santo Antônio, São Miguel Arcanjo e Nossa Senhora do Rosário, foram para matriz. A velha Igreja foi tombada pelo Patrimônio Histórico Estadual (Lei estadual nº 8.915 de 30 de outubro de 1980), e já passou por outras reformas e percalços, até mesmo uma tentativa de incêndio. Assim merece o respeito e atenção da comunidade de Luziânia, sobre sua importância na história e na paisagem da cidade. Membros da ONG proteger, entidade recém criada para tentar cuidar do acervo histórico da cidade, esteve no local das obras no dia 06 de outubro, para tirar fotos e entrevistar os artistas e técnicos empenhados no serviço de restauração da velha Igreja. A ONG manteve contatos com a coordenação dos serviços, e sem êxito, formalizou pedido oficial a área técnica do Iphan-Go, solicitando autorização para acompanhamento da obra e que o acompanhamento se restringia a fotos e entrevistas. O setor técnico informou que: “estamos elaborando estratégias junto ao técnico fiscal da obra e à empresa contratada para definição de como viabilizar este acompanhamento sem prejuízo da mesma. Tão logo tenhamos um cronograma formalizado, entraremos em contato”. Assim, o citado cronograma implica em etapas que já foram concluídas as quais não tivemos acesso para geração dos registros. Até o presente momento, vivemos uma expectativa, impedidos de adentrar no espaço da obra, da nossa velha igreja, atados a uma rede hierárquica e burocrática de complicado sistema de autorização, isto, já transcorridos mais de trinta dias do inicio das obras. Frente a esta expectativa coloco uma reflexão sobre a publicidade dos serviços, a transparência, e o direito a informação que qualquer cidadão pode almejar. Além disto, a destinação que se colocam sobre o bem de valor histórico na atualidade, onde ao invés de possibilitar a salvaguarda dos registros históricos e a sua disponibilização e acesso a todos, como fator de conhecimento e valorização da cultura, o que se vê é uma declarada especulação sobre os dados e vestígios históricos. O interesse maior em acompanhar as obras da velha igreja se restringe exclusivamente a fotos e entrevistas, como foi explicitado no pedido enviado ao Iphan-Go. Não queremos proceder auditorias, nem fiscalizar obras, de avultados recursos, para uma arquitetura feita de madeira (aroeira) e barro, com todo respeito a grandiosidade da arte, pinturas, entalhes, imagens sacras, que ornamentaram o centenário templo católico. O interesse maior é no registro histórico e artístico, que interessa a história da arte, e a história da cidade. Sem questionar a habilidades dos artistas, ou melhor, “técnicos” que estão ali trabalhando na grande obra da arquitetura do período barroco da cidade, sob o auspicio do conceituado instituto de preservação dos bens históricos de Goiás, o registro deste impasse sucinta uma pergunta? Será que vamos ter o privilégio de ver a pintura original restaurada, principalmente do altar principal e a imagem de Nossa Senhora do Rosário, esculpida por Veiga Vale, expressão maior do barroco em Goiás, de volta ao altar-mor da nossa centenária Igreja, sob o repicar dos sinos de uma de suas torres laterais? Se for reforma sobre reforma, o que resta pra ser restaurado? (por José Alfio)

ARQUIVO HISTÓRICO



Imagem de Nossa Senhora do Rosário, provavelmente de autoria do escultor Veiga Vale. Acervo da Matriz de Luziânia. Foto José Álfio.

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

LUZIÂNIA: UM PATRIMÔNIO INVISÍVEL

(DETALHE DO PAINEL TRÊS BICAS. Foto: José Alfio. 2009)

A história de Luziânia remonta a um passado colonial, uma sociedade em que após o declínio da mineração adquiriu uma característica pueril em que as pessoas construíram inconscientemente os elementos de uma tradição cultural, costumes que foram se firmando objetivamente nas práticas cotidianas. De acordo com esta mesma diretriz comportamental foram se constituindo suas estruturas políticas, uma prática que se identificou, em grande medida, pelo personalismo familiar, à guisa do modelo de Sérgio Buarque de Holanda quando explica as estruturas patrimonialistas do sistema colonial português na América.
Entretanto, os registros que documentam este passado de Luziânia não estão sendo devidamente preservados, muitos deles já se perderam. Existe uma lacuna no registro histórico, pois tais resquícios representam a memória e o patrimônio cultural de Luziânia, não apenas os seus casarões, quase extintos, suas ruas estreitas, ou alguns móveis antigos em uma e outra propriedade particular, mas as próprias lembranças devem ser registradas. São poucos os lugares em que se preocupa efetivamente com a preservação deste patrimônio, os poucos que a fazem, a casa da Cultura, a Academia de Letras e algumas peças das igrejas, não possuem a capacidade de sozinhas suportarem o peso de resguardarem em si todo o registro da tradição. Há uma necessidade de preservação deste patrimônio, e preciso fazer com que as pessoas gostem de olhar para as coisas e enxergar nelas, nas permanências do passado, um fundamento e um sentido para aquilo que hoje se edifica para o futuro.
É fato que a modernidade urbana que se impõe às antigas estruturas materiais e imateriais em Luziânia traz o significado de progresso econômico, e esta finalidade é de extrema importância para que existam melhores condições humanas de vivência, entretanto é preciso que haja um elo entre o desenvolvimento econômico-social e aquilo que evidencia a origem do povo de Luziânia, até mesmo porque este desenvolvimento só se constituirá se houver um desejo social pelo desenvolvimento, e este desejo se constrói a partir do afeto que o indivíduo sente por sua casa, sua cidade, nesse sentido, a perda da tradição e da memória impõe ao município de Luziânia um obstáculo ao desenvolvimento. Pois para que se desenvolva, as pessoas devem desejar o bem para aquilo que representa a sua origem pessoal.
Resta afirmar então que tradição importa-se para Luziânia na medida em que representa a afirmação da identidade das pessoas com o lugar que elas moram, e esta identificação deve ocorrer pela preservação histórica pois, esta ação de cuidar para que a história seja registrada se caracteriza como uma ação eficaz para a continuidade do que se compreende como fundamentos das estruturas de identidade.
A história se caracteriza pela ação humana e seus reflexos deixados no ambiente material e mental de toda a sociedade, mas o acontecimento histórico está sempre em desgaste pela simples passagem do tempo, e para que a história, memória e todo o patrimônio cultural seja preservado, os centros de documentação se constituem nas ações concretas que se pode fazer para que a identidade e a garantia do progresso econômico, social e político seja um certeza perene.

Claudio Hugo Melo Conelheiro
Membro da ONG Porteger