segunda-feira, 21 de junho de 2010

OBJETOS HISTÓRICOS

ACERVO HISTÓRICO DA CASA DA CULTURA DE LUZIÂNIA RECEBE PROTEÇÃO LEGAL


Estribos de bronze, objeto de montaria animal, provavelmente do seculo XVIII, dos antigos moradores de Santa Luzia. Acervo: Casa da Cultura (Foto: José Álfio)

A Câmara Municipal aprovou e o Prefeito de Luziânia Dr. Célio da Silveira sancionou e promulgou a Lei nº 3.363 de 25 de maio de 2010, que dispõem sobre a proibição de empréstimos das peças históricas do acervo municipal, determinando no seu artigo primeiro: “Fica terminantemente proibido o empréstimo das peças históricas do acervo municipal de Luziânia sob a guarda e proteção da Casa da Cultura.” Finalmente surgiu uma determinação de valorização e reconhecimento do valor histórico dos objetos antigos, testemunhos das antigas civilizações, que insistem em permanecerem acessíveis ao público que visitam a Casa da Cultura para conhecer um pouco do que resta da história de Luziânia. Pelo que sabemos os objetos e todo o acervo não dispõem de um serviço especializado de restauração, as peças que por ventura são extraviadas ou danificadas, tornam-se cada vez mais difíceis à reposição, considerando sua raridade e singularidade na paisagem, alem de não servirem-se de um sistema de monitoramento eletrônico para vigilância das mesmas, e o que é mais preocupante, do ponto de vista da preservação, é que não dispõe ainda de programas de aquisição de peças históricas para enriquecimento do acervo municipal, pois a maioria das peças do acervo da casa da cultura foram adquiridas através da doação realizada pelos moradores de Luziãnia, daí serem consideradas patrimônio coletivo, sob a guarda do poder público municipal. A Casa da Cultura possui guarda noturno e diurno, porém não se conseguiram ainda evitar roubos de peças do acervo. Assim a Casa da Cultura cumpre o heróico papel de se tornar no pretensioso e tão sonhado Museu Municipal de Luziânia. Atualmente é considerada por muitos como repositórios de coisas velhas, depósitos de objetos antiquados, fora do uso, fotografias amareladas pelo tempo. Os objetos permanecem sob a ameaça do desaparecimento, da falta de restauração e desgaste por sucessivas ações de empréstimos em atendimento aos caprichos de uma sociedade que desdenha o velho, o antigo, em detrimento do novo. Não descobriram, ainda, o verdadeiro valor histórico e sentimental que as peças da Casa da Cultura detêm em meio à parafernália dos instrumentos que surgem a cada dia com o avanço científico e tecnológico dos meios de produção. Os objetos do acervo municipal, sob a guarda e proteção da Casa da Cultura, representam uma referência ao tempo histórico, aos estágios de transformações que ocorreram e ainda ocorrem tanto na paisagem como na economia, na sociedade e na cultura, dos grupos sociais que edificaram a antiga Santa Luzia, hoje Luziãnia. Conhecer os objetos da casa da cultura é empreender uma leitura do tempo, e compreender como os antigos viviam e suas relações com o espaço, com a natureza e com o universo. A cidade passa por um acelerado processo de modernização que coloca em cheque a civilização histórica e toda sua tradição, dificultando os mecanismos de preservação, compreendendo aqui as tradições, os costumes e todo o patrimônio histórico incluindo os objetos que ainda são preservados na Casa da Cultura. O projeto de lei de autoria do vereador Murilo Roriz, ganhou a simpatia do legislativo municipal, dos estudantes e professores de história, dos militantes das Ongs de preservação, dos artistas e comunidade de protetores e defensores do patrimônio histórico de Luziânia, e se constitui num marco importante para o resgate e preservação da história da grande Luziânia.
(Por José Álfio).