sábado, 3 de outubro de 2009

CASARÃO D.J. OLIVEIRA ROMPENDO EM PEDAÇOS


Situado no bairro histórico do rosário, o velho casarão de arquitetura bandeirista, construído na técnica de pau-a-pique, com algumas parêdes em adôbe, alicerce em pedra tapiocanga, estrutura de madeira, especialmente a aroeira, não está resistindo a forte trepidação causada por fluxos intensos de veículos de cargas e equipamentos que constantemente trafegam pela Rua do Rosário. Parte de seu rebôco se desprende do adôbe, e as linhas de madeira, que compõe sua estrutura, tendem a se romperem, no que pode causar o desabamento de sua parêde frontal, colocando em risco e desequilibrio toda o restante do corpo da edificação. O inquilino que ali residia, mudou-se para uma casa logo em frente, tendo em vista a impossilidade de arcar com os custos da restauração. O Casarão pertenceu ao artista plástico D.J.Oliveira, paulista da cidade de Bragança, que veio para Luziãnia na decada de setenta, e passou os ultimos dias que antecederam sua morte,( setembro de 2005), envolvido com pinturas em telas neste casarão. O artista recebeu em setembro ultimo, por ocasião do anivesário de sua morte, intenssas homenagens na Academia de Artes e Letras do Planalto, com sede aqui em Luziânia, da qual o pintor foi um dos integrantes e frequentador assíduo. Propietário do casarão, o renomado artista D.J. Oliveira, foi mestre de grandes pintores da atualidade dentre eles, Siron Franco, Ana Maria Pacheco e a professora da UNB Grace Freitas. Em Luziânia foi incentivador dos artistas Hely Lopes e José Álfio, além de Japão, Diane e muitos outros. O pintor mencionou em entrevista, que mantinha o desejo de que este casarão se transformase em um museu, e que fosse preservado ali a história de sua carreira artística bem como de suas principais obras. O pintor deixou um valioso legado artístico e imagético aos moradores de Luziânia. Um painel em azulejos denominado Três Bicas, instalado na praça Raimundo de Araujo Melo, centro de Luziânia, além de ornamentar o Pedestal do Cristo Redentor com imagens sacras na técnica do afresco, e um belissimo painel localizado na entrada da Galeria de Arte do Ginásio de Esportes da cidade. O Casarão permanece com suas portas fechadas, cumprindo seu destino na paisagem, enquanto na mídia, na internete, noticia-se o país agraciado para sede dos jogos olimpicos de 2016. E na rua, um quadro dantesco, verdadeiro espetáculo do descaso com a questão do patrimonio historico e artistico nacional, perceptível não só pelo esquecimento de grandes valores que edificarão a nossa cultura, mas também na visualização das superfícies de reboco que se partem em pedaços por sobre a calçada do bairro histórico do rosario, onde morou o renomado pintor D.J. de Oliveira.